Gostariamos ter uma visão geral sobre como tudo começou
A Tecnol soluções informatica limitada começou em 2004, que é também o ano da construção dos nossos escritórios, isso após dois anos de trabalho para formalizar a empresa.
Em 2004 a empresa era bem mais pequena, estavamos instalados numa sala de estar de uma guest house com apenas seis funcionários. Começamos com alguns projectos no sector petrolífero atendendo principalmente o grupo Sonangol.
De 2004 à 2005 a empresa teve um bom desenvolvimento. Passamos a contar com 15funcionários, e começamos com projectos mais importantes.
De 2005 à 2008 tivemos um crescimento constante. Agora contamos com cerca de 60 funcionários nos quais 50 são Angolanos e 10 expatriados, especializados em áreas mais técnicas.
A Tecnol é uma empresa de prestação de serviços de engenharia, consultaria e projectos na área da tecnologia de informação.
Nós não somos simples revendedores de equipamentos informáticos (computador), não temos stock para revender. As pessoas pensam que por sermos uma empresa de tecnologia revendemos equipamentos, fica claro que não é o caso.
Eu digo sempre aos meus clientes que a Tecnol é uma empresa de soluções do nível “enterprise”, ou seja soluções corporativas.
Os nossos clientes alvos são empresas de médio e grande porte principalmente no sector da energia, embora o ano passado e no presente estamos a trabalhar com o sector público, como o governo a nível da gestão e construção cívil. Mas o nosso “core business” nestes quatro anos atende as necesidades de IT no sector petrolífero principalmente.
A nossa empresa hoje tem cinco anos de existência. É muito jovem, mas com um histórico extenso. O nosso conhecimento no ramo das tecnologias em Angola vem desde 1998/1999, por essa razão estamos ajudando e acompanhado o desenvolvimento das tecnologias em Angola.
Quando construimos a empresa um dos nossos principais objectivos era de que Angola fizesse parte da inclusão digital, tem a divisa digital com certeza que vocês conhecem e têm os países que estão excluido e os que estão incluidos, a nossa empresa tem feito esforços para que Angola esteja incluida na divisão digital.
Para voltar à empresa, trabalhamos em projectos de engenharia como já o tinha dito, mas de diversas naturezas, porém sempre no mundo da multi-tecnologia de informação. Se tiver que separar as áreas pela quais trabalhamos, eu diria que uma das áreas principais na qual trabalhamos é tudo que tem haver com estratégias de tecnologia de informação, ou seja, como é que um director de tecnologia de uma grande empresa pode garantir que a sua área esta fornecendo o melhor serviço para o “core business” é a área que nós chamamos “IT service management”, isso é toda parte estratégica de GTI que é baseada em melhores práticas internationais. Nós sempre trabalhamos dentro das melhores práticas, e existem alguns padrões internacionais para a gestão e processos “GTI”, tais como “ITIL” e também “COBIT” que é um padrão bem desenvolvido no UK (Reino Unido) para gestão de IT e estratégia de IT.
A segunda área com a qual nós trabalhamos é da tecnologia e aplicativo do mundo da MicroSoft, somos um dos poucos “Gold partners” da MicroSoft em Angola.
Para conseguirmos atingir esta certificação levou aproximadamente dois anos devido o “client perfil”, e a certificação dos nossos técnicos nacionais, ou ainda, cumprimento de certas normas próprias da MicroSoft. Trabalhamos muito no que se refere ao mundo da MicroSoft em Angola principalmente nos produtos mais críticos para uma empresa quando se trata do sistema de email, “Microsoft exchange, os sistemas como a Core Infrastructure”, que é o sistema de base para que uma rede cooperativa possa funcionar os “active directory”, os dominion, etc...
Dentro desta área nós temos uma sub-área específica que trata da segurança de informação, ou segurança em todos níveis, até à segurança fisica. Esta sub-área trata de assuntos de política de segurança, bem como as informações da empresa que estão guardadas, até o nível da segurança fisica com sistemas de controle de acessos em certas áreas (com passe de acessos). São sistemas muito inteligentes que aderem a sistemas de segurança de determinadas empresas.
A terceira área com que nós trabalhamos é à área da infra-estrutura a que nós chamamos de “core infrastructure”, infra-estrutura a nível das redes de telecomunicações internas das empresas, utilizando tecnologias como a “Cisco”, que é um grande fornecedor de produtos de rede, também somos parceiros oficial da mesma em Angola. Para este ano esperamos dentro de um mês atingir um dos mais altos níveis da “Cisco”, chamado “CISCO PREMIer PARTNER”.
De realçar que em Angola, somos os únicos “ solutions partner da BMC Software”, que é uma empresa Americana de software .
Entre outros produtos que a BMC fornece, têm o chamado “REMEDY” , que é utilizado mundialmente por ser a melhor solução para o que nós chamamos cliente “relationship management”. Usamos essa solução para gerir os nossos “call centers”, temos algumas centrais de atendimento ao cliente com “service level”, garantindo um certo nível de qualidade dos nossos produtos e serviços. Utilizando o “call center” os nossos clientes podem ligar, reportar algun tipo de incidente ou problemas, e isso tudo é tratado dentro das melhores praticas utilizando uma ferramenta como “Remedy” , para garantir a resolução mais eficaz de um determinado problema.
Falando de projectos disseste-me que a BMC seria um dos vossos grandes projectos da empresa
Não, a “BMC software” em si só, é como se fosse uma Microsoft. Ela é fabricante de um determinado produto e nós fizemos parte da rede de parceiros deles. Nós utilizamos as solucões da BMC, para fazer centrais de suporte. É um trabalho que requere um grande investimento interno da empresa quer técnico como humano. A título de exemplo, dos 50 técnicos nacionais que temos ,16 deles devem dedicar-se a tempo inteiro ao que chamamos “call center”, ou seja “service desk”. Esse pessoal fica alocado a um “service desk”, de onde fornecemos “outsourced” para uma série de clientes, sendo por isso um grande componente do nosso trabalho.
O que seria hoje o principal foco da empresa
O principal foco da empresa esta subdividido em 3 linhas: como já falamos do” Service desk”, porque é muito difícil em Angola encontrarmos uma empresa que implemente uma tecnologia e que depois consiga suportar a mesma. A maior preocupação dos nossos clientes é de saber se somos capazes de sustentar a nossa tecnologia após a implementação do projecto.
O que nos descobrimos é que em Angola ainda não existe o conceito “ costomer service” ou seja atendimento ao cliente, qualidade, suporte etc...
Por isso nós trabalhamos com essa mentalidade há vários anos, então decidimos formalizar o nosso braço de suporte utilizando as soluções da BMC.
Essas soluções da BMC servem para atenter a nível de suporte. O que nós fizemos nas outras áreas, principalmente na área da Microsoft, como já tinha dito, somos um dos poucos “Gold partners” deles em Angola, a nível de competência local, somos provávelmente uma das melhores, não quero dizer que somos os melhores, porque desconheço e não tenho uma visão global de todas as empresas, mas, a nível de qualidade, competencia, e de reconhecimento pela Microsoft, somos uma das principais. A Microsoft no mundo tem produtos muito diversificados. Não fazemos tudo que a Microsoft faz porém focamos nas soluções que nós chamamos “ core infrastructure”.
Consideramos o seguinte: tudo que uma empresa precisa para poder trabalhar e comunicar de forma eficaz utilizando as tecnologias, obviamente, tem de possuir uma rede, camada básica que é a rede de telecomunicações.
Na rede de telecomunicações os produtos principais são os productos da “Cisco” com os quais trabalhamos, uma vez que têm a camada básica, precisa-se de uma camada dos aplicativos. Nos aplicativos aí comecam a camada dos Microsoft onde entram os servidores para aramanezar os arquivos, os servidores de “file end print”, os domínios, os servidores para controlar o acesso as informações, tudo isso é o mundo Microsoft. Também o sistema de email, o “Microsoft exchange”, que é o padraõ da Microsoft. Além dos sistemas de email evoluindo um pouco mais, temos soluções de colaboração como os portais, as intranet, extranet de comunicação tudo isso faz parte da Microsoft.
Se fizessemos um resumo do que fazemos, é de realçar as soluções de service desk ou os “call center” porque o fazemos bem, solucões da Microsoft os fazemos a um nível altíssimo que não deixa nada a desejar de uma empresa que possa vir da Europa, Brazil, Estados Unidos da América, ou ainda da Africa do Sul.
A nossa área de segurança é extremamente forte e capacitada, nós olhamos para as soluções de seguraça como: sistema de controle de acesso, sistema de “CC”, e não só, também olhamos as soluções de segurança de informação.
Segurança de informação quer dizer, qual é a estratégia que uma empresa pode usar para proteger as suas informações. Por exemplo, se eu tiver um caderno com informações confidenciais, qual será a política de segurança que irei usar para proteger as mesmas, este tipo de segurança chamamos segurança por camada.
Na área de Segurança de informação existem 8 domínios de segurança. E a Tecnol trabalha com todos eles e é por essa razão que a nossa área de segurança é bastante forte e destacamos isso a nível de segurança corporativa.
Finalmente, um dos principais focos de nossa empresa hoje é a criação de um centro de processamento de dados ou “Datacenter” que adere as normas internacionais “TIA942” aonde nos ofereceremos ao mercado nacional uma solução local para a colocação dos sistemas de missão critica de nossos clientes.
Neste Datacenter, será oferecido não so um local para o alojamento ou “Hosting” de servidores e aplicativos mas também os serviços de gestão e operação dos sistemas que estariam alojados em este centro. Este tipo de solução tem um imenso valor acrescentado porque traz a tranquilidade aos nossos clientes que seus sistemas e equipamentos estão alojados em um ambiente estável com todas a medidas de segurança, redundancia, e estabilidade que hoje são criticas para a operação dos sistemas de T.I. que apoiam os negocios de nossos clientes, com o profisionalismo de uma equipe com os melhores técnicos capacitados para garantir a operação 24/7.
Na sua visão como está neste momento o sector tecnológico em Angola, como o mesmo se está desenvolver, e qual seria a sua visão do futuro
O desenvolvimento do sector das tecnológias de informação em Angola está ainda um pouco incipiente. As grandes empresas que podem ajudar a desenvolver o mercado do IT em Angola tais como à Microsoft, CISCO, estão em processo para se estabelecerem no país, de momento ainda não têm uma representação nacional. Uma vez estabelecidos vão ajudar muito para o desenvolvimento de parceiros locais.
Ao que diz respeito a abertura de novas empresas nacionais no mundo da tecnológia de informação, vemos empresas surgir anualmente mas ainda não esta comprovada a qualidade, responsabilidade com a qual elas irão trabalhar.
Mas o desenvolvimento está acontencer, e o governo tem algumas iniciativas para promover o desenvolvimento das empresas nacionais, com projecto como à 2 anos atrás, o Angola I.T. fórum que tem lugar anualmento no centro de convenções Talatona. Esse fórum é como um expo de todas empresas nacionais e também internacional no qual eles expõem os seus produtos e serviços.
Quanto a mim acho que enquanto continuaremos com dificuldades em obter telecomunicações de nível pelo meno aceitável, como temos no exterior, vai dificultar o desenvolvimento na área da tecnológia de informação. Porque o “Trend mundial” ou chamado ainda no mundo da IT “claud Based Computing”, está em via de desaparecimento por consequência, todos os sistemas que tradicionalmente temos dentro de uma sala de servidor, no escritorio, vão deixar de existir. Esse é o padrão internacional, eles serão substituídos por data center, onde teremos a possibilidade de pagar para utilização da mesma.
Por exemplo para fazer a montagem de um sistema de email da Microsoft exchange num cliente, ele deve reunir certos requisitos, tais como: ter internet estável, uma sala sobre controle de técnicos, uma rede estável etc...
No fim da montagem o sistema de email pode custar 30.000 ou 40.000 Dólares ou muito mais, dependentemente do tamanho do projecto. O mesmos sistema de email internacionalmente terá os mesmos custos.
Mais usando o conceito “SAAS (software a service)”, eu pago um “FEE” por exemplo à Microsoft e eles cedem-me a utilização dentro de uma sala de servidor. Isso permite-me economizar espaço, técnicos, e em termos de requisitos preciso só de uma boa conexão internet.
Todos esses exemplos mostram o “TREND” do mercado que esta numa transição de sistema “on-premise applicatins” para o “cloud-based computing”, mas enquanto Angola continuar a tentar estabilizar as comunicações locais e internacionais isso vai levar um tempo para chegar.
Falando de empresas capacitadas qual seria a chave do sucesso
As chaves para o sucesso da empresa, em primeiro, embora difícel de encontrar, eu diria ter técnicos capacitados porque são os nossos técnicos que nos representam diantes dos clientes.
Por capacitados quero dizer, conseguir técnicos certificados oficialmente pela Microsoft, ou pela Cisco, e com experiença de trabalho d e 2 à 5 anos em empresas de porte médio, que é a nossa meta, bilingue, português/inglês, porque no mundo do IT o inglês é a língua oficial, e com mentalidade correcta para prestar serviços profissionais a nível de consultaria, que é o que fazemos.
Em segundo, ter um reconhecimento do mercado, em Angola 90% dos negócios são feitos com base em referencias, por exemplo, eu fiquei sabendo da sua empresa que trabalha bem na área X, pela empresa Y. Por isso nada que nós fazemos em qualquer projecto para qualquer cliente podemos deixar causar prejuízo a nossa imagem de mercado. Nunca podemos ferir o reconhecimento que nós conseguimos obter.
Também digo que o maior “asset” da tecnologia hoje é o nosso perfil de empresa, o nosso reconhecimento pelos clientes, e pelos parceiros.
A cinco anos que a Tecnol trabalha em projectos de suma importância, sempre entregamos e executamos projectos com altíssima qualidade e fazemos questão de agradar o cliente.
Em suma técnicos capacitados e manter o seu estatuto como empresa de qualidade, significa ter valores (profissionais), e visão.
Valores a Tecnol tem, porque tudo que nós fazemos é voltado ao cliente, nos desdobramos para atender os nossos clientes.
Agora gostariamos que falasse do homem que está por de trás do sucesso desta empresa o Sr. Dr. Daniel Ferraz, diz-nos como foi que chegou em Angola, quais foram os principais desafios
Cheguei em Angola no ano de 2000, como já o tinha dito no começo. Nasci no Brasil, em São Paulo, no ano de 1976. Mas vivi muito pouco tempo no Brasil. Em 1978 a minha familia imigrou para os Estado Unidos, foi lá que fiz toda a minha formação académica. E foi lá que comecei a trabalhar, na época vivia em Los Angeles.
Vim para Luanda por conscidência porque a algums anos atrás o meu pai esteve em Luanda tratar de assuntos que nada tinha haver com a tecnologia de informação.
Ele ligou para mim em 1998 ou 1999 perguntado se eu podia ajudar-lo obter conexão internet em Luanda, na época era ainda mais dificel. Consegui e acabei por vir para ver esse ponto.
Foi uma pequena viagem de 2 semanas em 1999, durante a qual tive a oportunidade de conhecer um futuro cliente na época. Ele era um contacto não profissional ou seja social que nos proporcionou uma visão do desenvolvimento do IT em Angolano.
Em 2000/2001 começamos projectos sobre bandeira de uma empresa Americana de consultaria. Foi assim que vim trabalhar pela primeira vez em Angola até quando houve o terrível 11 de septembro de 2001. A empresa pela qual trabalhava decidiu cancelar todos os seus projectos internacionais.
Como eu era a pessoa da empresa que estava comprometido com os clientes, porque fui eu que tinha proporcionado as solucões, senti--me na obrigação de cumprir com as promessas de serviço que os tinha feito.
Frente a esse problema solicitei ao presidente da empresa naquela altura, que me permiti-se pôr fim ao “compete” para eu poder continuar o trabalho que tinhamos começado. Ele autorizou porque sabia que Angola já não era um mercado do interesse deles, isso foi em 2002.
E em 2003 começamos a trabalhar para a construção e regularização da Tecnol, ela está regularizada desde 2004 e desde a presente data tivemos um crescimento constante .
As principais dificuldades no começo foi primeiro, como fazer para que as coisas acontecessem, os processos, as actividades irem para frente enquanto se aguardava pela formalização da empresa. Sem ela estavamos muita limitados no que podiamos ou não fazer.
E em segundo, foi conquistar a confiança dos clientes, porque nós começamos do zero, antes da Tecnol não havia nada. Nos primeiros anos de trabalhos tivemos muito cuidado com os primeiros projectos, isso para criar uma sensibilização nos nossos clientes principais. A 4 anos atrás não tinhamos escritórios, e tinhamos poucos recursos, hoje jà temos escritório e certos recursos, ficamos gratos aos nossos clientes que confiaram e apostaram em nós.
Uma vez oficializada, a maior dificuldade foi conseguir o reconhecimento que não existia. Por isso digo o nosso maior “asset” hoje é o nosso nome, isso é, a percepção que o mercado tem da empresa, e quanto a isso não há razões de equívocos, é realidade, o nosso nome, a nossa qualidade, faz com que quando uma emprese vê num trabalho ou proposta o logo da Tecnol ela sabe o que vai receber, como diz-se ,what you see, what you get.
Qual seria a sua mensagem final para os nossos mais de 2,5 milhões de leitores
Seria dizer primeiro, como investidor e empresário, acredito que muitos dos leitores também o são, não tenham medo de vir em Angola para explorar o mercado, apostar no desenvolvimento do país.
A maior dificuldade que temos hoje, principalmente lidando com empresas Americanas é a percepção que elas têm de Angola, como um país em guerra, um país instável isso máscara todo desenvolvimento que esta conhecer no país, e todos factos positivos que tem acontecido desde o fim da guerra em 2002. Por isso comunidade de leitores do jornal, não tenham medo, não se acanhem, este país está desenvolver-se. Principalmente este ano de 2009 , com a crise économica estamos a ver os nossos mercados internacionais a sofrer várias dificuldades, felizmente a crise ainda não chegou em Angola , não garanto que não chega. Principalmente este ano que é um ano dicifil devido a queda do preço do petróleo e dos diamantes mas como tudo, essa área vai reverter e voltar aos números pelo menos razoáveis, ninguém gostaria que ver o barril de petróleo a 140 dólares, pelo menos em nova York.
A mensagem é que Angola é um país sério, é um país com muita oportunidade, não tenham medo de vir, mas quando decedirem apostar venham e sejam humildes. Porque Angola é um país jovem, em crescimento mas nós somos competentes, capazes e podemos trabalhar com qualidade tão boa ou melhor que empresas do resto do mundo. |
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