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SSA : ANGOLA : Interview with Hon. Sr. Júlio de Carvalho

Hon. Sr. Júlio de Carvalho
Administrador Município de Viana

Luanda, April 27, 2005

Depois da guerra que durou quase 30 anos, muitos Angolanos se deslocaram para vir para Luanda e também para Viana. Claro que há ainda muito por fazer. Mas quais são as responsabilidades e as contribuições que tem o Município de Viana?
O Município de Viana tem, neste momento, um número estimado de 1.200.000 habitantes, grande parte deles provenientes das outras províncias e alguns por causa da guerra. Portanto, temos a migração natural e a migração forçada por causa da guerra. No contexto geral do país, o município de Viana tem o funcionamento do Primeiro Pólo Industrial de Angola, com mais de 50 empresas, com um Parque Industrial em Desenvolvimento. Tem uma área industrial de 6.000 hectares, nesta primeira fase estão sendo utilizadas 162 hectares para atrair investidores. Foi construído uma grande Central de Captação, tratamento e distribuição de água, o maior do país. Nesse momento o Município, uma grande parte é habitacional onde grandes projectos habitacionais estão sendo desenvolvidos. Temos o complexo habitacional “Zango”, temos o complexo “Chinês”, “Viana II - Projecto Morar” e a área de expansão da Sapú, que vai abarcar o horizonte de mais de 6.000 famílias. Também estão a se fazer trabalhos de reparação e ampliação da linha do caminho-de-ferro e das estradas que ligam Luanda ao interior do país com destino a Malange e ao Uige. Oferece também grandes possibilidades de transporte fluvial pelo rio Kwanza que são navegadas até o interior no território do Dondo, na Província de Kwanza Norte.
Tem um grande Parque Agrícola onde temos mais de 600 hectares. Temos também indústria agro-industrial.

Podia nos explicar os principais empreendimentos existentes em Viana. Sei que existe a fabrica de sabão, óleo, chapas de zinco, etc. Mas quais são os principais sectores?
O primeiro sector é o industrial onde se encontram as indústrias de transformação, as indústrias extractivas e as de produção de alimentos.

Quê benefícios a população de Viana vai ter com a instalação da fábrica de montagem de automóveis Volkswagen e Skoda, prevista para os próximos tempos?
Geralmente, o aparecimento dessas indústrias dá, em primeiro lugar, a possibilidade de emprego. A Volkswagen vai ter acima de 100 trabalhadores. Também temos algumas fábricas que estão roborizadas que não empregam tanta gente, mas dão possibilidades dos trabalhadores serem maior e melhor qualificados, sobretudo na área da informática. Portanto, estamos a passar de uma fase de mão-de-obra para uma fase de trabalho de inteligência.

O Município de Viana é uma zona que possui um dos maiores parques industriais do país. Já houve investidores estrangeiros a solicitar para que possam erguer fábricas?
Há muitos investidores estrangeiros que estão a fazer fábricas aqui. Temos a fábrica de sabão que é de Portugal, a fábrica da Volkswagen, a Texeira Duarte com grandes estaleiros, a Flotec que é proveniente de Africa do Sul, Eusébios que é portuguesa. Temos 3 empresas chinesas a trabalhar aqui em vários domínios.

Várias propostas de intenção têm chegado à Agência Nacional de Investimentos Privado (ANIP). Qual é a relação que o governo provincial tem com a ANIP?
O governo tem óptimas relações com a ANIP, que garante a entrada dos investimentos estrangeiros. O Governo coloca à disposição os espaços territoriais para que esses projectos possam ser desenvolvidos.

Quais são as principais oportunidades de investimentos que se fazem em Viana?
Aqui tem grandes oportunidades de investimento: no ramo turístico, na área da barra do Kwanza, que é na estrada que liga Luanda a Benguela. Temos projecção de desenvolvimento de grandes espaços comerciais, temos também espaço para mais fábricas na área industrial e temos alguma actividade extractiva: temos inertes, temos areia.

No fim do ano 2004, Carlos Feijó, o Conselheiro do Presidente, disse que Angola não pode reconstruir-se por si próprio. A única solução é de criar condições atractivas para a intervenção do sector privado. Mas a segurança é uma consideração importante para todos os investidores estrangeiros. O que é que o Governo faz para atrair investidores?
Um dos grandes problemas que os investidores tinham para vir para Angola, era a segurança, a estabilidade, embora houvesse investidores que, com risco próprio, estiveram aqui durante a guerra. Nesse momento eles estão em vantagem comparado com aqueles que estão a vir: encontraram melhores oportunidades, fizeram um investimento de risco e hoje se encontram melhor posicionados. O país está em paz, está estabilizado, há todo um trabalho que está sendo feito para desminar para poder garantir o acesso. Há muitas áreas para serem desenvolvidas, há espaço para quem queira investir e ajudar no desenvolvimento do país nos vários níveis. Há muita infra-estrutura por ser recuperada e há, sobretudo, uma grande vontade da formação do homem, para transformar as riquezas que temos no país e aí contamos com a intervenção de investidores estrangeiros.

O Município tem incentivos financeiros para atrair investidores estrangeiros?
O município tem e trabalha directamente ligado com a empresa “Pólo Industrial de Viana – PIV”, que é uma empresa do Ministério da Indústria e o Governo de Luanda e tem a missão de fazer a gestão do espaço industrial, garantindo a oferta para os potenciais investidores.
Em Viana vai ser construído o Porto Seco, que vai garantir que tudo aquilo que vem do Porto do Luanda tem o seu lugar e tudo que está a ser produzido no interior do país venha ter cá antes de ser exportado. Viana vai ser um centro de grande atracção para os investidores. Tudo virá pelo Caminho-de-ferro, e como o Pólo de Desenvolvimento Industrial e o Pólo Habitacional serão em Viana, toda a gama de serviços privados e estatais serão mais próximo. Teremos assim a possibilidade de desafogar o trânsito que é muito difícil porque quase todas as áreas de serviço ainda estão na sede, em Luanda.

Estamos em Angola para promover o país e para que os investidores americanos sejam informados do potencial do mercado angolano e em particular do potencial do Município de Viana. Qual seria a sua mensagem final para os investidores e leitores de nossa revista U.S. News & World Report?
A grande mensagem, é que devem estudar muito bem o mercado angolano. Já no tempo colonial havia alguns investidores americanos que tiveram de abandonar o País. Há, agora, várias possibilidades e oportunidades e têm que agir com certeza e confiança, mais rapidamente, porque existem investidores de outros países que estão sendo mais agressivos do que os investidores americanos. E tendo em vista algumas relações que nós mantemos com os Estados Unidos e alguns Estados dentro dos Estados Unidos, era útil que pudéssemos também ver que esses nossos parceiros pudessem estar aqui a ajudar na reconstrução e fazer os seus negócios lucrativos.

 

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