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SSA : ANGOLA : Interview with H.E.M. Kundi Pahiama

H.E.M. Kundi Pahiama
Ministro da Defesa

Angola - 04/01/2005
O Sr. Ministro tem uma longa experiência na defesa do país e actualmente as Forças Armadas Angolanas (FAA) é uma das mais forte de Africa. Com a morte do Sr. Dr. Savimbe em 2002 e a chegada da paz em Angola, quais foram os desafios encontrados?

Em primeiro lugar gostaria agradecer a vossa presença aqui, na medida em que este dialogo que vamos estabelecer, vai naturalmente contribuir para uma melhor compreensão da situação em Angola, para uma melhor sensibilização dos homens de negócios e investidores, que queiram vir à Angola, com base desta entrevista.

Concretamente ao que perguntam me, quando eu vim para o Ministério era uma situação de guerra, neste género de situação é sempre difícil diagnósticar. Felizmente houve um engajamento de todas as Forças Vivas que contribuíram para o fim da guerra muito embora o factor determinante tenha sido as Forcas Armadas, que tinha por prima à tarefa principal de combater para alcançar a Paz. Em relação o Savimbe, nós privilegiamos o diálogo, fez se varias reuniões e acordos que o Sr. Savimbe acabou por desrespeitar-os, inclusive o acordo de Lusaka foi fundamental. Propôs-se ao Dr. Savimbe um estatuto social especial, um cargo de Vice-Presidente da Republica que recusou por individualismo, na minha opinião. O sofrimento da população estava a ficar exausto fizemos campanha militar e o nósso Presidente na qualidade de Comandante em Chefe deu três possibilidades a Unita; render se e ser entregue a Justiça Internacional para responder pelos os crimes cometidos contra Humanidade, ser capturado porque esta a se comportar de forma insuportável, cair no campo de batalha (isto muito antes dele morrer).

Fizemos emsaios com a Comunidade Internacional, com a orientação do nósso Comandante em Chefe. Depois chegou se a conclusão já não podíamos evitar a guerra.

O grande desafio que tem o governo Angolano é a “campanha de sensibilização para o desarmamento”. De que forma o Ministério contribui para a sensibilização e desarmamento dos civis e militares?

Esta mudança influenciou muito na nóssa estrutura militar, porque para alem de cuidar da defesa militar do pais, permanecer a nóssa independência, a integridade territorial, a unidade nacional, contribuir a desminagem como a reconstrução do pais, construir escolas, postos médicos rurais, lutar contra o analfabetismo, contribuir no transporte de bens alimentares nas vias de acesso difícil para os civis, pois também contribuímos na pacificação dos ânimos e espíritos. Nós temos uma doutrina de disciplina e organização, somos obedientes por natureza, pois também somos um Exercito do Estado que deve obediência aos órgãos de soberania, no nósso caso, o Presidente da Republica, e é por isso que temos esta capacidade de resposta técnica.

Nós já começamos a desarmar a população, ainda ontem o disse ao meu amigo Ministro do Interior, digo nós porque havia uma componente da população que estava integrada na Defesa Civil, e para poderem auto defender-se houve necessidade de armar-lhes porque a guerrilha já estava como um peixe na agua, e as Forcas Armadas como a Policia Nacional não tinham capacidade de cobrir todo o território Angolano. Hoje já com a chegada da Paz, a Policia Nacional desarma aqueles os que não estavam integrados, e as Forças Armadas os que estavam integrados. Pois nós já desarmamos mais de 100 mil armamentos, dados que o Comité Permanente da ONU tem conhecimento pelo Ministério da Defesa.

O primeiro grande desarmamento que fez-se em Angola muito antes da chegada da paz, as armas foram entregues a representante das Naçoes Unidas em Angola, mas a UNITA voltou a atacar infelizmente. Desta vez o destino das armas recebida a população como aos militares sera o mesmo, para a ONU?

No meu pensamento pessoal as Forcas Armadas tem por legitimidade e direito de ter armamento correcto, sendo um Exercito defensivo e não ofensivo, como também por experiência, quando a Unita atacou pela segunda vez não tínhamos como defender-nós, todo o armamento foi destruído. Então as armas ficam sob controlo das Forcas Armadas mas se o governo decidir que o armamento excessivo. Então nós destruímos os armamentos desnecessários e também todo o civil que possui arma de caça tem de registá-la na Policia Nacional. Na Etiópia, felicitei os meus irmãos, porque nós Africanós podemos dizer nós livres de armas nucleares, mas é justo também que todos no mundo o fazem.

Angola tem 18 províncias e todas elas com maravilhas distintas. A Palanca Negra Gigante, as famosas Quedas de Calandulas em Malange, em fim tudo o que os turistas procuram um país com beleza diversificada. Mas Angola é um dos paises minados mais grandes no mundo e falta de segurança. O que o Ministério e o Governo fazem para mudar este quadro que não inspira confiança?

Nós já começamos a campanha de sensibilização, com spotes na televisão, rádio e usufruímos de todos os meios de comunicação disponível para imformar e prevenir. Por razoes históricas, tenho muita ligação com Portugal. A três anós atrás, levei a Huila o Vice-Presidente de um clube de futebol português. Fizemos caçadas e andamos dia e noite em toda a provincia. Mas antes ele lamentava que fora de Luanda há muitas minas e eu provei-lhe o contrario ao fazer-lhe o convite. Porque primeiramente sou militar e conheço as zonas minadas, e desminadas onde o Teatro Operacional efectivou-se, e houve muitos autores: Unita, Swapo...
Quando fui Governador da Huila recusei investimentos estrangeiros no parque de reserva animal porque não havia ainda programa de desminagem. Hoje já temos e as ONGs trabalham em colaboração com as nóssas Forças. Pois se hoje houver propostas de investimento estrangeiro, para aquela provincia, nós iremos de acolher-lhes de braços abertos, por isso é necessario imformar-se da situção do pais, e nós iremos de informar-lhes das zonas sem e com risco. Como sabe se a segurança não é absoluta, não digo só em Angola como a nível mundial.
O turismo a nível mundial é um grande negócio. Ontem um oficial meu pediu para ir a Benguela e eu autorizei-lhe porque não há risco de segurança, e os turistas podem atravessar Angola de Norte ao Sul como o Leste ao Oeste.

Angola sendo a maior Força de Africa, o exercito mais forte de Africa seria o aliado chave com os Estados Unidos da América para a luta contra o terrorismo. Angola estaria interessada em fazer uma cooperação militar entre os dois países?

Eu tenho muito contacto com militares americanós e sobretudo em Angola com o Adido de Defesa na Embaixada Americana em Angola. Ambos estamos interessados em formar uma cooperação militar, já cá estiveram os americanós fizeram uma visita de cortesia em Angola, como tambem o nósso Chefe de Estado Maior General já lá esteve na América numa visita oficial, pois há que se estabelecer acordos. Mas as bases para a cooperação já foram lançadas. Neste momento temos uma Instituição de Língua Inglesa onde militares americanós lesionam o Inglês aos angolanós, e também ajudam-nós para prevenção contra HIV-SIDA que é feita pelos nóssos companheiros americanós. Sentimos a boa vontade e respeito mutuo, anssim como as iniciativas por parte deles.

Já que estamos a falar de militares, muitos dos jovens angolanós diziam ter medo de ir para guera e fujiam para não cumprir o serviço militar. Isto foi antes da chegada da paz, pois agora o numero de voluntários devera ou ja cresceu imenso com mais de 4000 voluntarios. Qual foi o papel do Ministerio? Houve mais sensibilização?

O Ministério da Defesa tem uma estrutura que chamamos Educação Patriótica e Cívica. Nós abraçamos as políticas do governo e transmitimos aos nóssos militares e estes fazem o mesmo para autoridades locais, porque nós recrutaremos novos militares estes já terão noção, concepção, e sentido de segurança. Por exemplo, no Uíge disponibilizamos militares que já adquiriram estes princípios para que a situação da crise do Marburg não se alastre, para houver mais controlo e segurança pois isto so alguem de coragem o pode fazer, emfrentar doentes com virus desconhecido, para não houver situaçoes, onde familias que resgatam os seus familiares nós hospitais para as casas. Em relação as voluntárias elas são numerosas não é quanto os homens mais é cerca de um quarto, de voluntarios.

Qual seria a menssagem final de Sua. Exa. para todos os que lerem esta entrevista?

Reagradecer a vossa presença aqui, apesar de que Angola ser visto como um pais a risco por muitos, mais vocês estão aqui não só para o vosso trabalho, mas também para trazer-nós o vosso profissionalismo, e prestarem solidariedade ao sofrimento do povo angolano. Gostaria desejar vos boas vindas em nome do povo angolano, do Governo, das Forcas Armadas, da sociedade civil, e que acolhemos de braços abertos todos os estrangeiros seja para turismo, negocio, ou outro tipo de amizade. Que este pais seja a vossa segunda casa a todos.

 

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