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SSA : ANGOLA : Interview with Sr. Dr. Rochas, Administrador da Universidade Jean Piaget

Entrevista com o Sr. Dr. Rochas,
Administrador da Universidade Jean Piaget
March 12, 2005

Para começar vamos falar um pouco de Jean Piaget que é nome da Universidade. Sabemos que é um grande sociólogo e psicólogo. Poderia contar nós a trajectória da Universidade Jean Piaget de Luanda? Porque o nome “Jean Piaget”?

O nome de Jean Piaget, como instituição de ensino superior em Angola surgiu graças ao Professor Doutor António Oliveira Cruz, Presidente do Instituto Jean Piaget de Portugal. Ele teve uma ligação muito forte com o Prof. Dr. Jean Piaget, que, de forma oficial, numa carta por si escrita, autorizou, a pedido do Presidente do Instituto Jean Piaget de Portugal para que o nome de Jean Piaget fosse dado à uma instituição de ensino. Foi assim que surgiu, como Instituição de ensino Jean Piaget, inicialmente em Portugal na capital, mais seis províncias, e, mais tarde, em África, nomeadamente: Angola, Moçambique e Cabo-Verde.

A educação tem dificuldades em vários sectores, existem poucas escolas, algumas foram destruídas pela guerra, existem poucos professores, e os meios de ensino são insuficientes. Esta Universidade enfrenta as mesmas dificuldades, por exemplo para encontrar mão-de-obra qualificada, quero dizer docentes qualificados?

Como sabe, Angola é um país que teve quase 30 anos de guerra. Surgiram muitos problemas nomeadamente a destruição das infraestruturas, mas, com a chegada da paz, muitos quadros altamente qualificados vindo da Bélgica, Espanha, Brasil, etc... com Mestrados, Doutoramentos e Licenciaturas, estão a regressar ao País e procuram por nós a fim de prestar o seu contributo.

A Embaixadora americana em Angola, disse-nos que existia intercâmbios de professores e de alunos entre os Estados Unidos e Angola, para a formação de técnicos no estrangeiro e ajudas para aprender idiomas estrangeiros. Sendo uma Universidade privada também faz intercâmbio com países estrangeiros? Quero dizer se tem parceiros estrangeiros?

As universidades privadas e públicas abriram se aos Mestrados e Doutoramentos graças ao intercâmbio com universidades de Espanha, da Polónia, da França, do Brasil e mais outros, embora os nossos objectivos não estejam ainda alcançados. Em relação aos Estados Unidos da América não recebemos propostas. Por exemplo, há dias atrás o Vice-Ministro da Educação de Cuba e a Sua. Exa. Embaixadora de Cuba em Angola solicitaram-nos para intercâmbio entre professores, alunos dos dois países. Nós estamos receptivos a todas as ajudas independentemente do Organismo (Igreja, ONG, etc...) porque Angola se encontra ainda numa fase de reconstrução. Alertamos também aos interessados que façam projectos de qualidade onde ambas as partes beneficiem de forma equilibrada.

Um dos aspectos da Reforma da Educação é de reduzir o número de estudantes nas salas de aulas para melhor aplicação dos métodos pedagógicos. Mas isto não seria contraditório às metas estabelecidas que é de aumentar o número de estudantes no sistema educativo? Por exemplo esta Universidade, quantos estudantes são hoje no total e para quantos professores?

A Reforma Educativa consiste em reduzir o numero de alunos nas salas de aulas o que significa que temos de criar mais infra- estruturas. O Ministério da Educação não está satisfeito porque há muita criança que não estuda porque a guerra quase tudo destruiu, e muito tem sido feito por parte do Ministério. Reduziu-se muito pouco o numero da demanda de escolarização, pois a que ver o limite pedagógico para a boa qualidade de ensino.
Na minha Universidade há cerca de 4000 alunos e 250 professores. Uns só trabalham na Universidade Jean Piaget e outros também leccionam nas outras Universidades. Mas queremos estender a nossa universidades às províncias. Já temos um Pólo a trabalhar em Benguela, projectamos para o Huambo, e Uíge que são as nossas prioridades. Os Governadores também solicitam os nossos serviços, pois não é tão fácil porque será no interior de um pais onde tudo esta construído e focalizado na capital e requer muito investimento: transporte, construção, material de laboratório em fim recurso financeiros e humanos. Embora a nossa instituição seja a única de Angola a possuir uma gestão interna mas toda ajuda ou investimento é bem-vinda.

No final do ano será inaugurada a primeira cidade universitária de Angola na Universidade Agostinho Neto, com capacidade de albergar mais de 17 mil estudantes. Como o Sr. Dr. disse antes, a Universidade Agostinho Neto também tem departamento de Direito, Economia, Informática, etc... Esta cidade universitária ira representar uma concorrência com a Instituição do Sr. Dr?

Em Angola a nível do ensino, não existe ainda concorrência porque esta fase de reconstrução que o pais esta a viver não nós permite, mas sim obriga-nos a trabalharemos juntos e colaboraremos alias cada fim do mês há uma reunião onde todas as universidades expõem as suas dificuldades para, em conjunto, encontrarmos soluções aos mesmos. Daqui há mais alguns anos, se a demanda para escolarização baixar em relação aos números de abandono, ali vamos poder falar de concorrência porque teremos a tarefa difícil de atrair um cidadão perdeu o interesse pela escola, pesquisar mais, terá espaços livres e dinâmicos, pois as universidades que se fecham a si próprias, que não associam o espaço académico com o social irão morrer.

Um dos aspectos mais importantes na educação moderna é o acesso às novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC); por exemplo Internet. Como situa se a Universidade Jean Piaget neste aspecto?

Nós temos um curso de Engenharia em Informática que requer bons laboratórios para as aulas práticas e acesso à Internet para as aulas intensas, embora a nossa situação geográfica nos dificulte bastante. Nós temos Internet 24/24, graças a um acordo que fizemos com a Mercuri uma empresa de telecomunicações, que faz parte do grupo Sonangol, e temos a nossa torre de recepção instalada que funciona muito bem. Não temos esse tipo de problemas.

Qual seria a sua mensagem final para os leitores da revista U.S. News & World Report?

À todos que quiserem visitar, investir, que tiverem projectos de intercambio etc..., venham até nós, que receber-lhe-emos de mãos abertas, e espero que a partir desta entrevista possam então conhecer e adaptar se à realidade do ensino no nosso País, para que ambos trabalhemos e beneficiemos da experiência de todos. Angola já esta em paz há três anos, por isso, não tem medo.

 

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