Interview with Eng. José Arsénio Manuel
Presidente Executivo, Uniprev-Angola
March 5, 2005 - Uniprev Angola é uma Associação mutualista sem fins lucrativos. Portanto, poderia contar-nos a história da Uniprev, quem foi o fundados e qual o seu objectivo?
Uniprev foi fundada em 2003 e o fundador sou eu. Trabalhamos em 3 projectos: Construção de 21 urbanizações, numa primeira fase mais de 32.000 casas; Agro-pecuária, contamos criar 100 fazendas comerciais de vários tipos e mais de 1.000 fazendas para agricultores e camponeses locais, todas a base associativa; depois temos as pescas, onde desenvolvemos projectos em cooperativas em dimensão muito mais pequena do que na agricultura. Montamos isto para ajudar os militares deslocados de guerra a ter emprego, criando micro empresas. Já temos vários projectos urbanísticos no âmbito nacional: um em Cabinda: 318 hectares para serem elaborados por uma empresa sul africana, no Soyo: 210 hectares, igualmente na responsabilidade de uma empresa sul africana, no Huambo em duas localidades e na Huila: 346 hectares executadas por uma empresa namibiana.
No vosso sector fala-se de projectos como “Projecto Nova Vida”, “Talatona”, “Novos Bairros” ou “Morar”. Desempenham igualmente um papel nestes projectos?
Não todas as urbanizações são nossas com exigências internacionais. Nos vamos fazer nos próximos anos novas cidades.
Actuamos como parceiro do governo, porque na cidade tem que estar interligado com vários serviços: estradas, água, electricidade, etc. Mas a iniciativa toda é nossa e já temos vários parceiros. Neste momento estamos a negociar em Espanha com várias empresas que estão a actuar aqui na área de construção, na industria e na medicina.
Com apoios do governo estamos a desenvolver 3 projectos. Quem vai executar os projectos são empresas contratadas para executar a política da Uniprev. A Uniprev não é directamente operativa. Os núcleos da Uniprev têm como missão: o combate a fome, fomento de emprego, segurança social, educação, saúde, habitação e apoio à terceira idade.
Depois temos a parte industrial: vamos criar várias fábricas, principalmente no Sul de Angola, onde vivem 60% da população. Para tal vamos chamar empresas de grande nome internacional que têm o know how e experiência para nos ajudar a desenvolver esse projecto. Temos de fabricar a maior parte do material de construção, neste momento importamos quase tudo.
Você diz que estão a trabalhar com os ministérios. Qual tem sido o apoio e os esforços para o sector imobiliário por parte do governo?
Nos estamos a trabalhar com as Obras Públicas e com os governos das 3 províncias, são os nossos parceiros. Temos também o ministério do Urbanismo e o ministério da agricultura para a área da agro-pecuária.
Como foi o vosso volume de negócio em comparação com o do ano passado?
Nos ainda não estamos nos negócios, porque vamos começar a construir o próximo mês. Estamos na fase para concepção de projectos.
Qual é a esperança de crescimento de Uniprev-Angola?
Este ano vamos começar com o projecto habitacional. Contamos dentro de 2 anos ter cerca de 8.000 residências construídas, tudo urbanizado com infra-estruturas básicas. Ainda dentro dos próximos 2 anos começamos a produzir nas fazendas que nos criamos. Temos contractos com um grupo de fazendeiros sul africanos que serão nossos parceiros nesse projecto.
Fala que trabalham muito com empresas sul africanas, mas a nível internacional os Estados Unidos não intervêm?
Já tivemos ca uma empresa americana com a qual estivemos a trabalhar, mas temos muitos parceiros estrangeiros.
Qual é o vosso número de empregados?
Temos 30 empregados à nível de Luanda e 5 em cada província.
Qual é a vossa clientela?
Já temos 1.600 pessoas inscritas que mostraram interesse em terem as suas habitações, mas só vão começar a depositar o dinheiro quando as obras começarem. Depois temos apoios colectivos de empresas: Shell, Total, BP, empresas de diamante e o estado que é o caso da Forças Armadas e a Polícia. Esses são os nossos clientes: empresas, privados, homens de negócio, ...
Já sabem com quais empresas vão trabalhar?
As que estão mais adiantadas são espanholas, portuguesas e sul africanas.
O sector está em evolução contínuo. Li na imprensa, que o sector da construção figura entre os que têm conhecido o crescimento mais forte em 2004, um crescimento de aproximadamente 14%. Poderia nos dizer quais serão os desafios do mercado imobiliário em Angola?
Angola tem um défice de 250.000 casas de baixa renda só em Luanda e todos os anos aumenta. Actualmente nem todos têm dinheiro para poder comprar uma casa. Por isso, nos adoptamos o sistema de pagar a casa em 10 – 15 anos.
14% de crescimento é pouco para um país em construção, devia ser de 100%.
Em relação ao vosso sector, qual seria a vossa mensagem final para os nossos leitores de U.S. News & World Report?
Angola não é o diabo conforme se diz: o angolano só gosta de guerra, são corruptos. Os tempos mudaram. Isto é um país que tem recursos, tem gente humilde e corajosa. Queremos ver o nosso pais desenvolvido. Para um país como os Estados Unidos com a indústria que tem e com os investimentos que já tem nos petróleos, seria bom investir também na habitação e na agricultura, porque isto e o futuro do nosso país.
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