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SSA : ANGOLA : Interview with Interview with Padre Jose Imbamba

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Padre Jose Imbamba
Universidade Catolica de Angola

March 15, 2005 - A Universidade Católica de Angola existe desde 1997 e é a primeira instituição de ensino superior privada a aparecer em Angola. Qual é a história da Universidade Católica, quem foi o fundador e quem é o proprietário?

A Universidade Católica de Angola, é uma preocupação dos bispos de Angola. Desde há bastante anos que a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé se propôs em criar uma Universidade Católica de Angola. É um projecto que não se efectivou antes por causa dos problemas da guerra e a instabilidade política- económica que o país vivia. Mas depois de restabelecidas as condições de paz, os bispos começaram a trabalhar neste assunto e concretamente em 1999, deu o primeiro ano, depois de todas as formalidades jurídico- legais cumpridas, com a aprovação do estudo de projecto pelo conselho de ministros da república de Angola. A partir dali criou-se a universidade, inicialmente com os cursos de “Direito” e “Economia e gestão”, que achamos os mais estratégicos para dar resposta aos problemas que a sociedade angolana estava a viver. Mais tarde criou-se, de acordo as possibilidades, o curso de “Engenharia e informática” e “Ciências humanas” concretamente o departamento de línguas e literatura.
O proprietário da Universidade é a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé. O impulsionador do projecto como pessoa, foi o Sr. Cardeal, Alexandro De Nascimento. Externamente também tivemos apoios de várias organizações e fundações. Aqui posso citar a Fundação Kenedy, através do seu Fundo para educação em Angola, a Conferência Episcopal italiana, que financiou a biblioteca, a Universidade Católica portuguesa, que tem nos accessorado em vários aspectos pedagógicos, científicos e administrativos.

O Instituto Superior Privado de Angola (ISPRA) é a unica institução privada que lançou um programa de pos-graduação em Gestão. Quando é que a Universidade Católica prevê lançar cursos de pós graduação?

A nossa preocupação maior por agora é constituir uma base cientifica sólida. Ainda não temos um corpo docente próprio. Os professores normalmente vem da Universidade Pública e estão cá em regime de colaboradores. De modo que com esse corpo docente, ainda não sentimo-nos satisfeitos. Nossa prioridade agora é a formação e a constituição do corpo docente da Universidade Católica de Angola. Por isso que na nossa formatura, aos primeiros licenciados que vão saindo, alguns estamos a oferecer cursos de pós graduação fora do país, para com eles depois constituirmos depois o corpo docente.
Para os cursos de pós graduação já existe uma equipa de reflexão.
Como sabem, as nossas instalações ainda não são as propícias, por isso estamos a construir o nosso campo universitário Palanca. Uma vez constituída a base sólida administrativa, de docentes e financeira etc., já poderemos trabalhar neste sentido.
Também é de frisar que a Universidade Católica não tem fins comerciais, se fosse comercial já teríamos mais cursos.

Um dos aspectos da reforma da educação, é a diminuição do número de estudantes nas turmas para ter a educação mais personalizada. Isso não é contraditório com as metas estabelecidas de aumentar o número de estudantes nas escolas e os institutos?

Isso tudo vai depender dos métodos de ensino que as instituições vão privilegiar. No caso da Universidade Católica, é preciso termos esse acompanhamento personalizado, nas aulas práticas sobretudo onde repartimos as turmas em 10 a 20 alunos, para o professor poder acompanhar, mas nas aulas teóricas as turmas são amplas, até máximo 100 alunos. Portanto, desde que haja uma boa articulação e uma boa visão do trabalho que se quer fazer, não haveria nenhuma contradição, isto no ensino superior. No ensino primário si, já exige-se um acompanhamento muito mais personalizado. No ensino superior, cremos que o aluno já tem uma certa personalidade e responsabilidade.

Quantos estudantes a Universidade tem no total?

No total para o presente ano, temos 1.054 estudantes nas 4 faculdades. Temos de acrescentar 254 estudantes que estão no ano zero, que é o ano propedêutico.

Então, a Universidade Piaget é um pouco maior, não é?

Como número sim. Nós, por enquanto não temos a capacidade para receber mais alunos, por isso que estamos a construir um edifício que até o próximo ano terá a capacidade de receber cerca de 8.000 estudantes.

Para essa construção, vocês procuram investidores?

A construção que estamos a fazer, conta sobretudo com o apoio do Governo da República de Angola, um fundo que vem dos petróleos. Uma certa quota vai para a Universidade Católica, porque somos um parceiro privilegiado do governo na luta pela formação do homem.
Mas por exemplo o novo edifício para a biblioteca vai ser feito com um fundo que vem dos Estados Unidos, da fundação Kenedy que está a angariar fundos. Queremos fazer um edifício que sirva para todo o público.

Muita gente pensa que a Religião e a Ciencia não conjuga, mas e visto que vossa Universidade da cursos de formação científica integral e profissional e tem tambem um Centro de Estudos e Cientifica (CEIC) e um Centro de Documentação Europeia (CDE). Quales son os objectivos de esos Centros de Estudos?

Como sabe, uma universidade prima sempre pela investigação. É nossa preocupação de encorajar os nossos professores e alunos para esse campo. Foi uma boa aposta, porque esse centro tem dado frutos muito importantes, por exemplo fizemos um grande estudo na descoberta da Palanca Negra, que é um antílope que já não se sabia nada sobre a existência dele. Nosso Centro de Investigação Científica coordenou esta equipa. É um ponto de referência, não só para o governo, mas também para as várias organizações internacionais. Nos anualmente publicamos um relatório económico sobre o desempenho da economia angolana que tem tido sucesso, já publicamos dois números.
O Centro de Documentação Europeia é um ponto de referência a nível das universidades, porque por enquanto é o único centro a nível do Sul e temos tido apoios da própria união europeia a facilitar a documentação necessária e as conferências que têm sido organizadas e nos trabalhos todos que se fazem.

Então trabalham com fundações e com a união europeia. Também trabalham com o sector privado?
Com o sector privado, trabalhamos a nível de Centro de Investigação Científica. Dentro do Centro de Investigação Científica, temos um Centro de Desenvolvimento Empresarial, que tem em vista a contribuição da Universidade Católica na formação dos futuros empresários e na acessoria que o centro presta a todas aquelas pessoas que querem abrir uma empresa, que querem seguir o curso e que têm problemas judiciais. Neste campo também temos bons sucessos.

O Centro de Investigação Científica trabalha em colaboração com outras faculdades ou outros professores a nível internacional?

Sim é um centro que conta com o fundo da USAID e temos feito um trabalho neste sentido.

Na embaixada americana falou-se que existem muitos intercâmbios também de professores e alunos entre os Estados Unidos e a Angola para a formação de técnicos no estrangeiro o ajudas para aprender idiomas estrangeiros. Estas ajudas são de um pouco mas de 1 milhão de dólares. Existe esse intercâmbio aqui?

Neste sentido, a coisa é muito débil, essa mobilidade de docentes ainda não se faz sentir, também por causa das próprias restrições migratórias. Más temos mandado docentes que vão participar em eventos internacionais. Como Universidade Católica pertencemos à Federação Internacional de Universidade Católicas e neste âmbito temos tido várias participações de professores nossos e também na engenharia e informática, não temos todos os professores necessários para determinadas cadeiras, então temos um protocolo de parceria com uma universidade de Portugal e uma de Itália.

Estão abertos a esse tipo de parceria com os Estados Unidos?

Nos somos uma universidade aberta. Toda colaboração que possa vir ajudar nos a crescermos e trocarmos experiências, é bem vinda.

Em Angola há milhares de estudantes que estão fora do sistema de ensino. Nesta universidade tem um Departamento de Apoio Social e um programa de bolsas de estudo, quantos beneficiam deste tipo de ajuda?

É preciso diferenciarmos dois tipos de bolsas: o sistema de bolsas internas, que não é a fundo perdido. É uma espécie de empréstimo, de reduções aos estudantes. Uma vez terminados os seus estudos, os estudantes vão começar a trabalhar e ganhar então vão repor gradualmente o dinheiro emprestado. O outro caso, é o de alunos que têm capacidade de estudar, são inteligentes, mas não têm meios financeiros. Para estes nos procuramos ajuda das empresas privadas e públicas: bancos, empresas petrolíferas, empresas de construção. Nos batemos as portas e eles pagam os estudos. Portanto essa bolsa é a fundo perdido. O ano passado nos tivemos cerca de 15% dos alunos que beneficiavam desses serviços.

Qual seria a sua mensagem final para os leitores da nossa reportagem em U.S. News & World Report que querem investir em Angola?

Nos como Angolanos e a sociedade angolana no seu todo está a precisar de renovação e reconstrução. E a verdadeira reconstrução, é a reconstrução do homem angolano, da mentalidade. O maior investimento que podemos fazer neste momento para transformar Angola, para o desenvolvimento, é apostar na educação. Infelizmente a impressão que nos temos é que a educação está a escorregar para o lado da comercialização. Ainda não seria altura para isto, agora devemos contribuir para que os Angolanos renasçam na mentalidade e tenham projectos claros sobre a sociedade que querem construir e sobre o tipo de Angolanos que queremos ser e o tipo de cultura que queremos fazer. Só a partir disto que poderemos trabalhar sem grandes sobressaltos para o progresso humano, social, cultural e económico. O campo está aberto, os desafios são esses. Refazer tudo a partir dos escombros da guerra não é fácil, então requer-se muita coragem, força de vontade e solidariedade. Por isto, se investidores americanos realmente querem nos ajudar neste sentido, então, que apostem. O mercado Angolano é florescente e atrai, mas é preciso antes de tudo trabalhar no homem.

 

 

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